terça-feira, 24 de maio de 2011

Maggie (Labrador) - Maio de 2011


Uma companhia constante...


sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Essência da Poesia (Pablo Neruda)

Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio. 


Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma acção passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a acção, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde.

E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde. 


De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum. 


Pablo Neruda, in "Nasci para Nascer" 
(Discurso na entrega do Prémio Nobel)

A Face Oculta dos Progressos Técnicos (Agostinho da Silva)



Portugal
1906 // 1996
Filósofo / Poeta / Ensaísta









Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se. 

O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre, mas enfim mais livres, algumas consciências se erguerão dos destroços e pacientemente, com todas as modificações que houver a fazer, converterão o bárbaro ao antigo e sempre eterno ideal de «vida conversável»; nos outros, a não sobrevir uma revolução causada pelo tédio ou pelo próprio desabar da outra metade do mundo, o trabalho será mais difícil porque se terá de arrancar os homens, no seu conjunto, à ideia de que o que vale é a segurança material, o conforto técnico e, se for possível, nenhum rumor de pensamento dialogado. 


Esta não já invasão mas explosão de bárbaros terminará a nossa Idade Média, aquela que veio ininterruptamente, só superficialmente mudando de aspecto, desde o século III ou IV até nossos dias, e que se caracterizará talvez pelo esforço de fazer regressar o homem de uma vida social a uma vida natural. 


Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'

quinta-feira, 12 de maio de 2011

BAT SPECIES (in Discovery News)

























BAT SPECIES USES STEALTH TECHNIQUE TO CAPTURE PREY

A rare British bat has developed remarkable stealth technology to sneak up on moths.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sumatran Tiger Cubs (in Discovery News)



THE GIST
  • WWF is urging timber firms in Indonesia to drop plans to clear forests following after the organization captured footage of several Sumatran tigers.
  • The video, recorded in March and April, shows two mothers with four cubs and another six of the critically endangered big cats.
  • There are fewer than 400 Sumatran tigers left in the wild, among a global tiger population of just 3,200 -- down from 100,000 a century ago.

Rare Sumatran Tigers Caught on Camera


TIGER CUB VIDEO SPARKS CALLS FOR PROTECTION

Deforestation is threatening an already limited habitat for these critically endangered tigers.

domingo, 8 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Reencontros

Consciência que nos trai,
dentro de um pensamento plausível 
no tempo descoberto
num anonimato invisível.
Viagem consumada,
num Inverno chuvoso,
mais tarde transformada,
em amor maravilhoso.
No regresso,
com semente deitada
em terra lavrada,
floresceu,
abriu e cresceu,
num Verão quente
e vistoso
sinónimo de um amor premente.
Partilhas demoradas,
cartas trocadas,
beijos roubados,
numa janela dependurada
no escuro de uma noite quente
de assalto conjurada.
Fugas ao desafio,
respeito bravio
pelo teu corpo luzidio,
vontades reprimidas,
pela pureza do sentimento,
agora resolvidas, 
pelo instante de um momento.
Lembranças,
de uma praia distante,
onde de forma tímida
perscrutei o teu semblante,
em quedas marcadas,
fugiste num instante,
para águas salgadas.
E depois, 
passados tantos anos,
num deslumbramento virtual,
voltaste à cena,
com um papel principal.
Onde me situo não sei,
algures no teu coração,
num mal que nunca te desejei,
na dúvida de uma opção
e na consciência,
em não te dizer que Não.

Francisco Mai./2011

Polar Bear, Canada (in National Geographic)

Photograph by Norbert Rosing, National Geographic
A polar Bear sleeps on the ice in Canada.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Veio Ter Comigo Hoje a Poesia (Vergílio Ferreira)

Veio ter comigo hoje a poesia.
Há quantos anos? Desde a juventude.
Veio num raio de sol, num murmúrio de vento.
E a ilusão que me trouxe de uma antiga alegria
reinventou-me a antiga plenitude
que já não invento.

Fazia-lhe outrora poemas verdadeiros
em fornicações rápidas de galo.
Hoje não sou eu nunca por inteiro
e há sempre no que faço um intervalo.

Estamos ambos tão velhos - que vens fazer?
- a cama entre nós da nossa antiga função.
Nublado o olhar só de a ver.
E tomo-lhe em silêncio a mão.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'