Lavra a terra da tua alma.
Deita-lhe a semente,
com paixão e amor,
sai do pousio que te consome,
perde o amor á dor,
ao ciúme que não dorme,
dá-lhe alento e carinho,
lança-lhe o adubo que a acalma,
aponta-lhe o caminho.
Lavra a terra da tua alma.
Deixa-lhe crescer as asas,
para voar e não voltar,
deixa-lhe outras encruzilhadas,
a procura do renascimento,
dá-lhe a liberdade que ela clama,
a liberdade de pensamento,
deixa-a abarcar o mundo,
o vislumbre do universo,
dá-lhe a doirada chama,
orienta-a em novas estradas,
no desconhecido de um novo destino.
Lavra a terra da tua alma.
Dá-lhe a conhecer o perverso,
a ignomínia das gentes,
as falsidades entranhadas,
dá-lhe a visão do reverso,
dos amores fingidos e doentes,
das mentes imundas e pérfidas,
no mundo das figuras esgotadas.
Lavra a terra da tua alma.
Livra-a da dolorosa penitência,
dá-lhe um novo sonho de amor,
pois ela é a tua existência.
Francisco Jun./2011