Oh fado, deixa-me em paz,
o que está feito não se desfaz,
deixa-me a alegria do caminho,
por onde não quero seguir sózinho.
Quero o brilho de outro olhar,
outro sorriso que me acompanhe,
quero partir e não ficar.
Oh fado, não sigas comigo,
pois não te quero convencido,
que tudo me trazes sem calhar,
em novo destino quero embarcar,
lavar-me de águas malditas,
novo perfume quero cheirar,
nova pele quero sentir,
em novo e doce tormento quero entrar,
entranhar nova vida, sem fado,
mas desmedida,
de loucuras que amamos,
até nova fatalidade experimentar.
Oh fado, larga-me,
larga-me de vez,
que vou por nova estrada,
que não é de pedra nem de calçada,
é veludo sobre meus pés,
seda no meu coração,
sol novo na minha alma,
volúpia em nova madrugada.
Oh fado, nem tentes...
não te quero a meu lado,
nem áquilo que desmentes,
de mentiras fiquei purificado
e de novo encontro-me sugado,
pelo mel da nova realidade,
renascido da tempestade,
que já vai longe e bem sumida.
Oh fado vai-te embora,
que te renego neste tempo,
no hiato que já não há,
não perturbes o novo brilho,
que eu desejo,
que seja lento.
Francisco Fev./2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Caminho do ódio
No teu ódio, caminho.
É estrada que percorro,
sem encontrar carinho,
é nela que eu morro.
Leio os teu poemas,
tento perceber nas entrelinhas,
se há algo que adivinhas,
ou algo que não temas.
Nesse ponto me equilibro,
nos caminhos que corres,
no vislumbre de um olhar sincero,
o tal, que já não espero.
Francisco Fev./2011
Terra Honesta
Em terra honesta pus os meus pés
por lá caminhei, sem revés,
sem sentido de desonra ou traição,
sem nunca dizer não.
E assim, pela lei errante que nos leva,
seguindo o meu caminho,
muitas vezes sem destino,
na quietude do meu ser e dos meus actos,
conheci-te.
A partir daí, caminhámos,
pelas pontes dessa nova vida,
pelas estações das sensações,
pelos lugares onde nos amámos,
onde sonhámos,
onde as nossa juras ganhavam volúpia,
corpo e onde tudo profanámos.
Invadiste o meu lar,
profanaste a terra honesta,
onde pus os meus pés,
e sem revés não seguiste o meu caminho.
Saiste de improviso,
com uma pressa fatal,
apenas ficou o teu sorriso,
o desdém de uma ilusão banal.
E no fim, ficou um sol disperso,
uma aurora curta,
onde o teu olhar se furta,
onde eu não desperto.
Francisco Fev./2011
por lá caminhei, sem revés,
sem sentido de desonra ou traição,
sem nunca dizer não.
E assim, pela lei errante que nos leva,
seguindo o meu caminho,
muitas vezes sem destino,
na quietude do meu ser e dos meus actos,
conheci-te.
A partir daí, caminhámos,
pelas pontes dessa nova vida,
pelas estações das sensações,
pelos lugares onde nos amámos,
onde sonhámos,
onde as nossa juras ganhavam volúpia,
corpo e onde tudo profanámos.
Invadiste o meu lar,
profanaste a terra honesta,
onde pus os meus pés,
e sem revés não seguiste o meu caminho.
Saiste de improviso,
com uma pressa fatal,
apenas ficou o teu sorriso,
o desdém de uma ilusão banal.
E no fim, ficou um sol disperso,
uma aurora curta,
onde o teu olhar se furta,
onde eu não desperto.
Francisco Fev./2011
Penso
![]() |
| Penso |
a olhar o branco do meu tecto,
onde parece que nunca desperto,
de tanto me dar.
Penso e volto a pensar,
nas opções que nunca segui,
das quais fugi,
sem nunca estranhar.
Penso e repenso,
nas opções que tomei,
das quais nunca falei.
Penso,
a olhar o branco do meu tecto
onde continuo discreto...
Penso em ti,
de onde nunca parti,
a olhar o branco do meu tecto,
onde parece que nunca desperto,
e onde nunca te vi.
Penso, repenso e volto a pensar,
onde poderás estar,
a olhar o branco do meu tecto,
onde não durmo, mas penso...
no silêncio que me acompanha,
na alegria fugidia, que tarda em voltar.
Penso como um "cão",
na busca da ilusão,
de não poder estar.
E penso...
a olhar o branco do meu tecto,
de onde não desperto,
onde vou continuar...
desta vez indiscreto
e volto a pensar.
Francisco Fev./2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O sotão do meu cérebro
![]() |
| O sótão do meu cérebro |
no sotão do meu cérebro,
algo que só a idade nos traz,
onde tudo guardo
e nada se desfaz.
Coleções de recordações ao vento,
muitas sem alento,
que não se desvanecem nem dissipam,
mas que ficam...
não por querer,
mas porque teimo em esquecer,
que me magoam e me definham,
já que não alinham,
no meu modesto pensar.
Revogo tais lembranças,
na tentativa de as dissolver,
para não ter que as viver,
suportando tal mal estar.
Continuo a rebuscar,
no sotão do meu cérebro,
pensamentos que já não posso possuir,
vidas que já não tenho,
de olhares que já não voltam atrás,
teimo em ouvir...
sons de estradas passadas,
de vozes acabadas.
De silêncio ferido,
continuo a rebuscar,
no sotão do meu cérebro,
a tua voz que não sai,
do oco da minha memória,
do cheiro que me quer rasgar,
onde eu já não tenho história.
Francisco Fev./2011
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