Mais um dia de palhaçada
tudo se vê e não se sabe nada,
sabores de cores que nos atormentam,
ventos suaves que nos alimentam,
em jeito de salada,
mal temperada,
uivos de gente "passada",
mal com a vida, de vida estragada,
cultura que não passa, uma desgraça...
rostos cinzentos e desbotados,
uns desgraçados,
filhos quase alheios e abandonados,
comida pobre e rarefeita,
a telenovela como receita,
vive-se o que não se é,
na esperança vã de ter ao pé,
uma alegria, uma verdade
dos que nos rodeiam,
em jeito de tempestade.
É assim o palhaço do tempo,
que nos faz rir sem alento,
à espera do tal momento,
dia após dia,
de regresso a casa,
onde tudo há e nada existe,
nada persiste,
de rostos ausentes,
vazios e tristes,
olhares para o nada,
doentes...
sala cheia no momento,
de almas errantes e descontentes,
no tempo que passa infinito,
a aguardar pela cama fria,
de amores ausentes.
Uma palhaçada... do tempo.