Giro este movimento...
no alento do desencanto,
corre-me a brisa do momento,
cerveja fresca pela goela,
enquanto aguardo por ela,
pois insisto em vê-la,
em guardá-la.
Movimento do vento,
face de espanto,
corpos em movimento
em vaidades fugidias
e ela? E ela que não vem...
-Quem quer o 24? É a dois euros...
Olha o 24, hoje é dia 24...
Na rua do Coliseu,
é giro este movimento,
na passadeira da desgraça e da cagança,
prendo a esperança
e ela que não vem...
Olho com desdém,
o desdentado que me pede esmola.
Não dou... não posso dar
e podia-me levantar, mas não,
continuo a dar de beber à ilusão,
cerveja fresca para a goela, mas ela?
Ela não...
Passa a policia
uma bela mulher policia...
que bem que lhe fica a farda,
no meio da estrangeirada encalorada.
Giro o movimento...
e eu, sem tino nem tento,
aguardo por ela,
que não vem...
Atrás de mim a ginjinha.
Ah, que grande tentação, mas não...
-Olha a Popular
Anda à roda hoje... É a Popular...
Salta-me o cheiro da sardinha...
e eu, na minha.
Mas a minha que não vem.
Pergunto por ela:
-Quem, a alegria?
Ninguém a viu
E eu respondo:
-Ah, puta que a pariu!
Francisco Ago./2012