quinta-feira, 31 de março de 2011

Timbaland - Apologize (feat. One Republic)



Adoro isto... simplesmente maravilhoso.


domingo, 27 de março de 2011

Mariza - Chuva - Fado

Súplica (Miguel Torga)

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

Absurdo...

Aos meus dois filhos, Mariana e Guilherme.
O absurdo instalou-se,
pousou no meu coração,
em vida manifestou-se,
por atos perdi a razão.

O absurdo transformou,
toda uma vida pensada,
em caminhos tortuosos se tornou,
flor nascida em pedra lascada.

O absurdo deu,
uma mão cheia de nada,
um campo virtuoso ardeu,
árvore caída e ensanguentada.

O absurdo em mim ficou,
levou-me duas pérolas nascidas,
olho azul ao longe despontou,
olho verde em vida esquecida.

O absurdo levou,
para longe amores fiéis,
em tristeza me tornou,
a minha mão perdeu dois anéis.

O absurdo em terra escreveu,
com letras de vidas caídas,
todo o meu amor ardeu,
estafado em causas perdidas.

Aos meus dois filhos, Mariana e Guilherme.

Francisco Mar/2011

sábado, 26 de março de 2011

Fingertips - Simple Words



Palavras simples, como gosto disto.
Todos os fins de semana, deixo-lhe uma música para ouvir. Espero que aprecie.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Definitivo (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade
Publicado no blog por sugestão de Maria João M.

♥ ♥ Close Cover - Wim Mertens♥ ♥



Adoro este compositor... e adorei o concerto dele no Centro Cultural de Belém. 06/11/2010
Soberbo e maravilhoso, mais uma vez.

domingo, 20 de março de 2011

Mensagem

Numa garrafa coloquei uma mensagem,
em papel fino a escrevi,
no mar, em parte incerta a lancei,
na esperança de uma miragem,
de algo que me fugiu
e que nunca alcancei.

Não sei se alguém a leu,
até hoje, resposta não tive,
para quem nunca se deu,
por alguém de quem me abstive.

Nessa garrafa ia o mundo,
em amor de letra escrita,
do meu comportamento imundo,
por alguém que já não acredita.

Na praia ficou espojada,
papel fino se derreteu,
de ti já não espero nada,
e de mim...
resta a alma que se submeteu
na esperança vã,
de quem já não te vê
nem te beija pela manhã.

Francisco Mar/2011

Casualidades

Para a Blue Moon Shadow,
amiga virtual que deixou de ser
Anónima.
Na casualidade do tempo,
novos rumos experimento,
uns no fulgor da vida,
misturas de sentimentos,
sempre de forma desmedida.

Rumos em pedra rasa conjurados,
em dias de chuva desanimados,
por algo que se procura,
numa eterna mistura,
de verões inacabados.

Aleluia, aleluia,
que a alegria vai despontando,
em fotografias capturadas,
em noites inacabadas,
de um receio formigando,
mas nunca misturando,
as emoções instaladas.

Na virtualidade do tempo,
na casualidade da vida,
nos ramos de uma árvore esquecida,
algo me dá alento...
E assim tento desabrochar,
de situaçãos sem paralelo,
fugindo ao medo de ficar,
preso neste tormento.

Em casualidades vivo,
em  tempo quase infinito,
em esperanças esquecido,
em vão de escada adormecido.
Lentamente vou acordando,
desponta nova Primavera,
novo amigo se instala e desafia
este novo mundo,
esta nova esfera.

Francisco Mar/2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Rui Veloso - Nunca me esqueci de ti




Como é hábito, deixo à minha Anónima, uma musica para ouvir no fim de semana...
Fique bem.

terça-feira, 15 de março de 2011

Amigos e Amizades

É convosco que eu partilho,
o nó do meu atilho,
na esperança premente,
de voltar a sentir
aquilo que já não se sente.

É convosco que eu conto,
na medida do possível,
para que na altura do desencontro,
a minha estima esteja acessível.

É convosco que eu estou,
em parte desesperado,
quando a alma me abandonou,
e eu já não consigo estar calado.

É convosco que consigo cantar,
afugentar tempestades e descaminhos,
ter forças para gritar,
e afastar os meus espinhos.

Francisco Mar/2011

Luz


Candeeiros de Rua

Luz

(em breve)

sábado, 12 de março de 2011

Escrita de Água

Em água escrevi o meu destino,                                                   
a história da minha vida,
sempre tremida e sem tino.

Em água escrevi ao meu amor,
de onde não obtive resposta,
apenas reflexos de dor.

Em água escrevi com lágrimas,
em circulo redundante se tornou,
de um amor que nunca mais voltou.

Em água escrevi com a mão,
em sofrimento me lavei,
sobrando a solidão.

Em água desenhei um filho,
num amor desmensurado,
em caudal que já não partilho.

Em água vi nascer,
as coisas mais belas...
é uma constante,
nunca mais tê-las.

Francisco Mar/2011

Anónima (por sugestão de uma Anónima)

Pelos meus filhos te procurei,
pelos teus não aguentei... e,
pelo caminho interrompido,
à conta de uma fulgente decisão,
em brado, disseste NÃO.

Em Verão quente me deixaste,
arrepiado em frio constante,
na busca de memórias idas,
segui pela rua, errante.

Memórias sentidas a dois,
em viagem consonante,
de prazeres almíscarados,
misturados e vívidos,
num Verão distante.

E depois do NÃO,
em jeito de decisão,
a capa Anónima vestiste,
ao silêncio te remeteste,
escondida na multidão,
na sofreguidão da luz do dia
e à noite, em solidão.

Solidão talvez partilhada,
de onde não resta nada,
no alto de ramos secos,
de uma árvore morta,
mas orvalhada.

E assim, Anónimos continuamos,
mas não conjuramos,
nem partilhamos a mesma estrada.

Percorro o meu deserto,
tento perdoar-me dos atos que tive,
dos quais não me quero lembrar,
abandonei-me ao silêncio,
à lentíssima morte do amor,
à desistência de te procurar,
em juízos doentios de dor,
em capa de Anónimo,
quero ficar.

Francisco Mar/2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Alma

A minha Alma tem coisas interessantes,
embora discordantes para com o seu "dono".
Meiga por vezes, quando estou irado,
irritada quando me sinto magoado.
Gentil, tentando induzir-me
a seguir um caminho que não quero.
Mentirosa e preversa
querendo meter conversa e eu,
sem rasgo de pressa,
tento enganá-la.
Contrario a sua insensatez,
sem desfeita nem paixão,
mas ela pede-me a mão,
de forma dissimulada,
e eu mais uma vez,
não lhe digo que não.
E lá me acompanha,
sempre com uma trama,
de coelho na cartola,
de varinha de condão e
eu não lhe digo que não.
Prostrado continuo,
na mesma ilusão
e não usufruo
dos dias que correm,
esperando um sinal
de quem eu não quero mal.
E quando estou só,
lá vem ela, subtil,
com os seu passes de mágica
lembrando-me a parte trágica,
de uma vida com nó.
Nó, que nunca desfiz,
que me aperta a garganta
e ela,
sem dar sinais de esperança,
continua comigo,
zombando e gozando,
levando a sua avante
e não consigo dizer-lhe que NÃO.

Francisco Fev./2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Noites...


Noites...
Onde uma luz perdura,
ténue e envergonhada.
Assiste a várias ternuras,
mas sente-se abandonada...

Francisco 2011



Catarina

Levanta-te Catarina,
são 8 da manhã,
ao teu lado nada murmura,
na procura de uma esperança vã.
Vã... pois são 8 da manhã.
Ao teu lado nada está,
levanta-te Catarina,
aqui ninguém te domina,
estás livre e solta
e tu numa revolta,
procuras algo que não volta.
Levanta-te, são 8 da manhã,
segue o teu caminho,
muito dele com destino,
a olhar para o céu vais pensando
e não desbotando,
dos teus pensamentos, dos teus medos,
de onde não saem enleios,
dos teus amores e receios,
de algo que não queres
e por mais que desesperes,
são 8 da manhã.
Acorda Catarina,
alguém está á tua espera,
revela a tua face,
liberta esse disfarce,
larga as tuas mágoas,
uma névoa se levanta,
já nada te espanta,
pois ela há-de chegar,
essa alegria a redobrar.
Levanta-te, são 8 da manhã
e a esperança já não é vã.

Francisco Fev./2011