domingo, 20 de fevereiro de 2011

Oh Fado...

Oh fado, deixa-me em paz,
o que está feito não se desfaz,
deixa-me a alegria do caminho,
por onde não quero seguir sózinho.
Quero o brilho de outro olhar,
outro sorriso que me acompanhe,
quero partir e não ficar.
Oh fado, não sigas comigo,
pois não te quero convencido,
que tudo me trazes sem calhar,
em novo destino quero embarcar,
lavar-me de águas malditas,
novo perfume quero cheirar,
nova pele quero sentir,
em novo e doce tormento quero entrar,
entranhar nova vida, sem fado,
mas desmedida,
de loucuras que amamos,
até nova fatalidade experimentar.
Oh fado, larga-me,
larga-me de vez,
que vou por nova estrada,
que não é de pedra nem de calçada,
é veludo sobre meus pés,
seda no meu coração,
sol novo na minha alma,
volúpia em nova madrugada.
Oh fado, nem tentes...
não te quero a meu lado,
nem áquilo que desmentes,
de mentiras fiquei purificado
e de novo encontro-me sugado,
pelo mel da nova realidade,
renascido da tempestade,
que já vai longe e bem sumida.
Oh fado vai-te embora,
que te renego neste tempo,
no hiato que já não há,
não perturbes o novo brilho,
que eu desejo,
que seja lento.

Francisco Fev./2011

1 comentário:

  1. "ó fado não sigas comigo"...
    Não perturbes o novo brilho, que eu desejo,que seja lento.

    Fico perplexa ao ler-te ...tens alma de poeta...mesmo
    força amigo parar, é não acabar o nosso [Fado]

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