sábado, 2 de abril de 2011

Paris e Sevilha

Paris, que conheço mais ou menos bem,
marcou-me muito e a ti também.
Sangrias bebidas num despojamento,
incontido em risotas abafadas,
em alegria transformadas.
Noites percorridas por ruas estranhas,
numa intimidade sem fim,
coisas e lugares visitados,
ficaram marcados em ti, em mim,
como senão houvesse amanhã,
e desconcertados,
em frio intenso,
seguia-mos o nosso caminho,
em juras de amores continuados,
à tristeza roubados.
Ruas com sol e com chuva,
que nos despertava a monumentalidade,
que nós apreciávamos e comparávamos
com o tamanho do nosso amor.
Gastronomias em lugares estranhos,
onde me abraçavas com medo,
mas com a confiança de quem nunca te perdeu.

Mas antes disso, Sevilha,
com muito salero,
calor intenso e brutal,
que nos levava a refugiar,
em lugares frescos,
em tablas abundantes de cheiros e sabores,
e nós sempre prontos para petiscar,
o desconhecido.
Nas noites quentes,
jurámos outra vez amor,
deitados num banco,
nas margens do Guadalquivir
e ali estávamos em calor abafado,
numa ilusão incontida para quem não esperava,
o que estava para vir.
Noites em que vimos flamenco,
com vontade de o dançar, num bom
e alegre tormento, como duas almas,
inquietas, transformadas em arrepios doces,
com cor, com o cheiros misturados,
extravasados num rodopio sem fim,
em quem começava a acreditar,
a confessar,
o gosto por um projecto,
que ia tomando forma.
E arrepiados, envoltos nesse
filme que tanto queríamos ver,
seguimos em frente.
Das memórias quero esquecer,
nas memórias quero ficar.

Francisco   Abr./2011

Sem comentários:

Enviar um comentário