terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O sotão do meu cérebro

O sótão do meu cérebro
Rebusco muitas vezes,
no sotão do meu cérebro,
algo que só a idade nos traz,
onde tudo guardo
e nada se desfaz.
Coleções de recordações ao vento,
muitas sem alento,
que não se desvanecem nem dissipam,
mas que ficam...
não por querer,
mas porque teimo em esquecer,
que me magoam e me definham,
já que não alinham,
no meu modesto pensar.
Revogo tais lembranças,
na tentativa de as dissolver,
para não ter que as viver,
suportando tal mal estar.
Continuo a rebuscar,
no sotão do meu cérebro,
pensamentos que já não posso possuir,
vidas que já não tenho,
de olhares que já não voltam atrás,
teimo em ouvir...
sons de estradas passadas,
de vozes acabadas.
De silêncio ferido,
continuo a rebuscar,
no sotão do meu cérebro,
a tua voz que não sai,
do oco da minha memória,
do cheiro que me quer rasgar,
onde eu já não tenho história.

Francisco Fev./2011

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