quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Terra Honesta

Em terra honesta pus os meus pés
por lá caminhei, sem revés,
sem sentido de desonra ou traição,
sem nunca dizer não.
E assim, pela lei errante que nos leva,
seguindo o meu caminho,
muitas vezes sem destino,
na quietude do meu ser e dos meus actos,
conheci-te.
A partir daí, caminhámos,
pelas pontes dessa nova vida,
pelas estações das sensações,
pelos lugares onde nos amámos,
onde sonhámos,
onde as nossa juras ganhavam volúpia,
corpo e onde tudo profanámos.
Invadiste o meu lar,
profanaste a terra honesta,
onde pus os meus pés,
e sem revés não seguiste o meu caminho.
Saiste de improviso,
com uma pressa fatal,
apenas ficou o teu sorriso,
o desdém de uma ilusão banal.
E no fim, ficou um sol disperso,
uma aurora curta,
onde o teu olhar se furta,
onde eu não desperto.

Francisco Fev./2011

1 comentário:

  1. Sim, é interessante a coincidência... embora diferente no conteúdo e na forma.
    Gosto muito de Fernanda de Castro, mas não a tenho como referência.
    Contudo, aprecio bastante este poema da autora:

    "Onde o Homem não Chega"

    Onde o Homem não chega tudo é puro,
    dessa pureza da primeira infância.
    Tudo é medida, ritmo, concordância,
    tudo é claro e auroral: a noite, o escuro.

    E nem o vendaval é dissonância
    mas promessa de sol e de futuro.
    Quem levantou esse primeiro Muro
    que do perto fez longe, ergueu distância?

    Foi o Homem, com suas mãos de barro,
    com suas mãos perjuras, fel e sarro
    de inútil sofrimento e vil prazer.

    Não é tarde, porém: sacode a lama,
    ergue o facho, levanta a Deus a chama
    e recomeça: acabas de nascer.

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