Pelos meus filhos te procurei,
pelos teus não aguentei... e,
pelo caminho interrompido,
à conta de uma fulgente decisão,
em brado, disseste NÃO.
Em Verão quente me deixaste,
arrepiado em frio constante,
na busca de memórias idas,
segui pela rua, errante.
Memórias sentidas a dois,
em viagem consonante,
de prazeres almíscarados,
misturados e vívidos,
num Verão distante.
E depois do NÃO,
em jeito de decisão,
a capa Anónima vestiste,
ao silêncio te remeteste,
escondida na multidão,
na sofreguidão da luz do dia
e à noite, em solidão.
Solidão talvez partilhada,
de onde não resta nada,
no alto de ramos secos,
de uma árvore morta,
mas orvalhada.
E assim, Anónimos continuamos,
mas não conjuramos,
nem partilhamos a mesma estrada.
Percorro o meu deserto,
tento perdoar-me dos atos que tive,
dos quais não me quero lembrar,
abandonei-me ao silêncio,
à lentíssima morte do amor,
à desistência de te procurar,
em juízos doentios de dor,
em capa de Anónimo,
quero ficar.
Francisco Mar/2011

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